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18/09/2026

O Brilho da Vida

💛
Setembro Amarelo  •  Fonte Church

O Brilho da Vida

Pregador: Pr. Sidi Kauer

✨ Introdução

Hoje quero abrir o meu coração com vocês sobre questões muito relevantes da vida. Comumente nesta data, focamos a falar no que tange à nosso estado o Rio Grande do Sul. Todavia, recebi uma provocação da psicóloga Nycole para trazer algo relacionado a valorização da vida, do setembro amarelo. Coloquei isso em oração ao Senhor e Ele aprovou, então, vamos lá.

Quero compartilhar com vocês sobre 4 ocasiões em que eu acreditei não ser mais possível seguir nessa terra. Quatro vezes em que pedi para o Senhor me levar. Suicídio para mim nunca foi uma opção pelo meu contexto cristão. Porém, 4 vezes a vida se tornou tão pesada para mim, que morrer parecia ser a única saída. Talvez você nunca tenha passado por isso, entretanto, acontece mais do que você imagina. Como pastor, diversas pessoas já me procuraram, seja para pedir ajuda em relação a isso, como para contar de alguma tentativa ou ainda, o chamado de algum familiar. Pessoas que talvez você jamais imaginaria, já tentaram contra sua própria vida. Pessoas às vezes com um sorriso no rosto, buscando fazer “o bem” e que sucumbiram por dentro.

O RS infelizmente apresenta taxas de mortalidade por suicídio 2x maior que a média brasileira, então, precisamos falar sobre isso.

No período gestacional, fui exposto a quantidades consideráveis de álcool, o que pode ter contribuído para alguns desafios na minha constituição emocional. Na infância, meus pais plantaram tabaco e inclusive, os recipientes onde guardávamos os mantimentos, eram potes de herbicidas (veneno). Enquanto crescia, minha mãe enfrentou diversas lutas como a depressão, bipolaridade, síndrome do pânico entre outras.

Pode até parecer um cenário pesado, mas, é um cenário comum no contexto do RS. Somado a isso os desafios do frio, da baixa luminosidade e questões culturais, nosso estado até então foi o campeão, dessa vez de algo que não nos orgulhamos, afinal, tais informações mostram que estamos falhando como sociedade e quem sabe, até mesmo como igreja.

📖 1 Rs 19:4-8. NVT.

Depois, foi sozinho [solidão, problema] para o deserto [luz, solução], caminhando o dia todo [atividade física, solução]. Sentou-se debaixo de um pé de giesta e orou, pedindo para morrer. “Já basta, SENHOR”, disse ele. “Tira minha vida, pois não sou melhor [comparação, problema] que meus antepassados que já morreram.” Então ele se deitou debaixo do pé de giesta e dormiu [descanso, solução]. Enquanto dormia, um anjo o tocou e disse: “Levante-se e coma!” [alimentação, solução]. Elias olhou em redor e viu, perto de sua cabeça, um pão assado sobre pedras quentes e um jarro de água. Ele comeu, bebeu e se deitou novamente. O anjo do SENHOR voltou, tocou-o mais uma vez e disse: “Levante-se e coma um pouco mais, do contrário não aguentará a viagem que tem pela frente”. Elias se levantou, comeu e bebeu, e o alimento lhe deu forças para uma jornada de quarenta dias e quarenta noites até o monte [Buscar a Deus, solução] Sinai, o monte de Deus. 1 Rs 19:4-8. NVT.

1. Primeira vez: o peso do pecado ⛓️

A primeira vez que pedi para o Senhor me levar, tinha em torno de 16 anos aproximadamente. Estava vivendo um avivamento em minha vida. Lia a Bíblia todos os dias, orava fervorosamente pelo menos uma hora por dia. Evangelizava meus colegas, pregava no grupo de jovens…

O meu pastor era a minha referência. Eu queria ser igual a ele, um grande homem de Deus. Também assistia muito um pregador que passava na televisão no sábado de manhã. O pregador da TV tinha uma mensagem bem forte. Lendo a Bíblia, olhando para meu pastor e ouvindo o televangelista, comecei a me sentir muito culpado por meus pecados. Ora, com 16 anos, você deve imaginar quais lutas eu estava passando. E ficar triste por causa dos pecados pode até ser bom, desde que seja uma tristeza que te leva para perto de Deus e não uma tristeza debilitante.

📖 2Co 7:10 NVT.

Porque a tristeza que é da vontade de Deus conduz ao arrependimento e resulta em salvação. Não é uma tristeza que causa remorso. Mas a tristeza do mundo resulta em morte. 2Co 7:10 NVT.

A tristeza que vem de Deus, gera arrependimento. É aquela tristeza que te leva a orar mais, estudar a palavra, procurar os pastores e líderes. A tristeza segundo o mundo é aquela que te faz desistir, se isolar, parar de congregar, ficar com vergonha e desistir.

Naquela época comecei a me sentir tão culpado, mas, tão culpado que fazia assim, confessava todos os meus pecados para Jesus em pranto desesperado e em seguida pedia: “Me mata Jesus, me mata antes que eu peque de novo, eu te amo e prefiro que o Senhor me mate hoje do que passar a eternidade sem você”.

Não sei quanto tempo isso durou, até porque na infância e na adolescência tudo parece ser uma eternidade. Foi um sofrimento terrível que me consumiu.

Até que um dia tomei coragem, escrevi meus pecados em um papel, fui até a casa do pastor e entreguei para ele minha carta de confissão. Pedi para ele “tirar o demônio de mim”, me remover dos ministérios, colocar no “banco”, fazer qualquer coisa desde que resolvesse meu problema, tirasse aquela dor.

Calmamente, ele me acolheu, cuidou de mim. Ministrou o amor de Jesus sobre minha vida. Explicou sobre o perdão e o arrependimento. Contou sobre as falhas que ele mesmo tivera na juventude e orou por mim, reafirmando o poder do sangue de Jesus que me perdoava de todo pecado. Foi libertador. Não era um demônio que precisava sair de mim, era a culpa.

O perdão é uma ferramenta muito poderosa. Ouso até em dizer que o perdão é uma das ferramentas mais poderosas. Perdoe a si mesmo, perdoe o próximo.

Talvez até Deus já te perdoou. Digo mais, provavelmente Ele já te perdoou. Se até Deus liberou você para seguir em frente, por que está torturando a si mesmo? Arrependeu? Confessou (1Jo 1:9; Tg 5:16)? Deseja mudar de vida e abandonar o pecado? Então siga em frente. Lembrem do que sempre digo: “Passado bom no presente, só o café”.

Quando não perdoamos é como se estivéssemos algemados ao clone do nosso agressor. Ele nos acompanha no trabalho, nos estudos e pasmem, até na cama. Aquele que ofendeu continua sua vida, segue em frente. Já o agredido que não conseguiu perdoar, fica preso, travado sofrendo. Aquela mágoa se faz uma má água. Um ácido preso dentro de si, corroendo a vida, fazendo sangrar a alma. Não basta fechar, um ferimento, é preciso remover a sujeira de dentro, do contrário, haverá infecção e pus. Uma pessoa que apenas troca de relacionamentos, troca de ambientes, todavia não resolve problemas e não libera perdão vai encontrar problemas em todos os lugares que for pois a infecção está dentro de si. A ferida precisa ser aberta e limpa e só então cicatrizada.

A cicatriz fica. Um memorial de uma batalha vencida. A dor vai. O sofrimento passa. Não há amnésia, existe cura.

Para o seu próprio bem e por experiência própria eu te digo: PERDOE! Perdoe quem te ofendeu. Perdoe a si mesmo pelo que errou. Primeiro, peça perdão a Deus pelos seus próprios pecados e em seguida, libere perdão sobre os outros.

E quando for difícil curar essa ferida, ore abençoando quem te feriu. O inimigo vai ficar tentando trazer de volta a dor, o sofrimento… Então se cada vez que isso acontecer você orar declarando que o agressor vai se converter, que será restaurado, abençoado, você irá humilhar o diabo e vencer.

📖 Mt 5:44. NVT.

Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem por quem os persegue. Desse modo, vocês agirão como verdadeiros filhos de seu Pai, que está no céu. Mt 5:44. NVT.

Quem me ajudou a sair dessa crise? Deus é claro. Porém, por meio de uma pessoa, meu pastor. O Senhor sempre enviará material humano para te ajudar. Eles estão muitas vezes ao seu redor ou ainda onde você menos espera. Para Jesus o Pai enviou o Cirineu na hora que a cruz estava pesada demais. Para Jeremias, Ebede-Meleque foi a provisão de Deus quando parecia que o poço era muito profundo. Para Elias e Eliseu o Senhor proveu as viúvas. Seja onde você menos espera ou aí na cadeira do lado, o Senhor sempre coloca alguém para nos ajudar.

2. Segunda vez: a perda de sentido 🌫️

Depois daquele primeiro episódio me tornei missionário. Por 3 anos me preparei para o ministério, viajei por vários estados, preguei em muitas cidades, trabalhei arduamente e estudei muito. Depois, nos próximos dois anos, fiz mais estágio, e comecei a pastorear uma congregação. Se com 18 eu havia saído de casa para me dedicar a obra, agora com 21 me tornava pastor de uma igreja local. Durante 5 anos morando sozinho, foram muitos natais, viradas de ano, aniversários que passei sozinho. O fato de mudar de casas e cidades, desde a infância e agora também na vida adulta tinha dificultado nutrir amizades profundas. Se antes eu cuidava de jovens, ia de casa em casa, viajava pelas cidades, agora, estava só em uma cidade do interior. Até que tudo perdeu o sentido para mim.

Não conseguia acreditar mais que estar vivo ainda tinha algum significado. Adoeci de diversas formas. Sentia dores em todos os lugares. Era meu corpo acreditando em meu coração que dizia: não vale mais a pena viver.

Comecei a ter desmaios, enfermidades. Meu coração gostou da pressão de 10/4 e parecia querer mantê-la. Minha alimentação era péssima. Certo dia contei os remédios que estava tomando (com aproximadamente 23 anos) e já eram 14 comprimidos por dia por recomendação médica. Eu olhava no espelho e dizia: “Deus, já deu. Eu já ganhei vidas para Ti, já formei líderes, já fiz a obra, pode me levar”.

E foi então que na semana do natal, na pracinha da cidade, Deus colocou diante de meus olhos um novo sonho: me casar com aquela menina que se apresentava.

O problema é que eu não tinha mais sonhos. Não tinha mais objetivos. Achava que já tinha feito e vivido tudo. Porém, aquela menina fez meus olhos brilharem novamente. Ela mudou a minha vida. Foi o instrumento de Deus para me tirar das garras da depressão e me trazer de volta a vida. Eu já tinha desistido de tudo, não queria mais nada. Mas o sorriso dela entrou dentro de mim como um raio de sol depois de uma terrível tempestade. E aquele rapaz que até então só queria morrer, agora queria casar, para nunca mais ficar longe daquele sorriso.

Começamos a nos conhecer, compartilhar valores e objetivos e tudo começou a fluir. Não era nada fácil, mas, era tudo com ela, então valia a pena.

O pão dormido que comprávamos no mercado, parecia um banquete pelo simples fato de podermos comê-lo juntos. A igreja começou a crescer vertiginosamente. Vidas foram sendo salvas, almas transformadas.

Afinal, uma pessoa não morre quando deixa de respirar, ela morre quando para de sonhar. Abraão olhava as estrelas do céu durante a noite e os grãos de areia do chão durante o dia, sonhando com a imensidão da sua descendência.

Para nós, o livro de apocalipse é a chama da esperança.

Tenha sonhos!

Objetivos!

Não como algo que te pesa e cobra, antes, que te anima e estimula. Comemore cada degrau, desfrute nos patamares, todavia não pare de subir a escada da vida.

Mais uma vez, Deus me ajudou por meio de uma pessoa, a Tássia. Percebam vários gatilhos da depressão que estavam no meu contexto:

  • Sentimento de solidão.
  • Má alimentação.
  • Baixa exposição solar.
  • Diminuição da atividade física.
  • Ausência de sonhos e objetivos.
  • Falta de hobbies.

3. Terceira vez: a decepção 🌧️

Agora casado, tudo ia de vento em popa. A igreja logo tinha o dobro, o triplo, o quadruplo… Chegou a ser 10x maior do que quando Tássia e eu nos conhecemos. Era com certeza uma das mais relevantes da cidade. Eu era quase o “pastor da prefeitura”. Falava nos eventos, realizava boa parte dos funerais, era bem-visto e recebido em todos os lugares. Até vendemos o comércio que tínhamos para nos dedicarmos totalmente a obra.

Foi quando, chegou a tempestade. Havíamos comprado um carro que pagaríamos com as parcelas da venda do negócio. Porém, o comprador não pagou. Minha esposa estava grávida nessa época. O orçamento apertou, pois, além de não termos mais nosso comércio, precisávamos pagar o carro e não estávamos recebendo as parcelas. Então piorou, a igreja entendeu de diminuir 30% nossa côngrua. O dinheiro que tínhamos dava praticamente para pagar o aluguel, o dízimo e a parcela do carro. Calma, isso não é tudo. Tássia teve várias vezes risco de perder o bebê. O médico chegou a dizer que não tinha como salvar o Josias. Agora, precisávamos acrescentar o valor dos remédios às despesas básicas.

No meio de tudo isso, um membro começou a ir de casa em casa e fazer uma lista de coisas que julgava como defeitos nossos como pastores. Não apenas pedia novos defeitos a cada visita aos membros, como lia a listinha que já estava elaborando.

As coisas pioraram. Começaram a surgir fofocas a nosso respeito pela cidade. Pessoas falando mal, acusando, criticando de coisas que sequer tinham passado por nossas cabeças. Nos sentimos abandonados, traídos, decepcionados.

Aqueles por quem nós tínhamos dado a vida, agora nos abandonavam. Não em qualquer momento. Nos abandonavam no momento que mais precisávamos de amor, de ajuda, de carinho, de acolhimento. Naqueles dias Tássia estava na cama e eu aflito. A igreja ruindo, o bebê em risco de vida. A esposa de cama, as finanças comprometidas. Eu sucumbi diante de todo esse peso e não queria mais viver.

Até então, eu gostava de acordar por volta de 5h30. Fazer uma corrida matinal e depois me dedicar das 6h às 10h em oração, estudo da palavra e leitura. Só então tomava meu café da manhã. Agora, já não tinha mais ânimo para acordar cedo. Haviam se esgotado as forças para orar. Eu me colocava na presença de Deus e chorava por horas. Meu joelho havia estragado, e as fortes dores me acompanhavam. O SUS me jogava de um lado para o outro e enchia de remédios sem previsão para fazer a cirurgia.

No meio de tudo isso meus líderes entenderam que deveríamos nos mudar para Caxias do Sul. Até pouco tempo atrás eu nem sabia como era essa cidade e agora queriam que viéssemos para cá. Não era isso que estava em nosso coração. Queríamos que o Josias nascesse lá onde morávamos, ter alguma rede de apoio, restaurar aquela congregação e depois iniciar uma igreja em Pelotas.

Estávamos mortalmente tristes. A Tássia pediu muita misericórdia ao Senhor, que respondeu dando um sonho a ela e a nosso pastor na mesma noite. Em resumo, nos autorizaram ficar em Cristal até os 2 meses do Josias. Porém, não foi possível executar o desejo que tínhamos de restaurar a igreja, e nem a missão em Pelotas. Embora estivéssemos desolados, não queríamos desobedecer nossos líderes.

Talvez você esteja esperando um final feliz neste capítulo. Bem, foi o nascimento do Josias. No meio de toda aquela desgraça, o Senhor nos presenteou com um filho. Isso nos consolou. O nome Josias significa aquele por meio de quem Deus cura. Para nós aquele que traz o alívio. Um dia eu estava na garagem orando e a pastora em casa lendo a palavra. Foi nesse dia que Deus revelou o nome de nosso filho, aos dois, ao mesmo tempo. Deus nos deu um filho, como um sinal profético de cura diante de todas as decepções com pessoas.

E mais uma vez Deus usou seres humanos para nos ajudar. Desta vez, um bebê.

Não podemos lançar sobre uma criança a responsabilidade de trazer a felicidade para os pais. Jamais façam isso. O que aconteceu conosco foi que através do bebê, o Senhor abriu os nossos olhos para enxergar que a vida é maior que nossos problemas.

4. Quarta vez: o cansaço 🌊

Chegando em Caxias, não conhecíamos quase ninguém. Fomos morar no Jardim Eldorado. Meu joelho continuava estragado e o tal do carro, tivera problemas para transferir e eu não podia rodar com ele. Como foi difícil naqueles dias conseguir caminhar, subir e descer aquelas lombas simplesmente para ir ao mercado que fosse. Não tínhamos rede de apoio e agora, um bebê para criar. Agravante: O primeiro bebê!

A cidade e a igreja eram diferentes de tudo que conhecíamos e não demorou para que os problemas aparecessem. De 2018 até 2024 foram poucos os períodos que tivemos paz. Eram muitos problemas para resolver, muitos conflitos entre as pessoas, muitas fofocas, falsidade e desunião. Todo dia, toda hora a todo instante, éramos requiridos, recebíamos ligações e mensagens. No interior as pessoas eram mais simples. Se alguém queria dizia “eu quero” e se não queria “eu não quero”. O mesmo para “gosto” e “não gosto” e assim por diante. Na cidade descobrimos muita aparência e infelizmente até manipulação. Foi uma profunda decepção com o gênero humano. Nem sempre as pessoas eram sinceras e algumas diziam gostar de vermelho em um dia e juravam no outro que o azul sempre fora a cor preferida. Ficamos confusos. Começamos a ficar perplexos, era um povo diferente. Acusações, gritos e desrespeito e não estávamos acostumados a ver isso em igrejas. Estávamos dispostos a dar vida pela Igreja, só não imaginávamos que seria tão difícil e que causaria tanto sofrimento.

Finalmente minha cirurgia saiu. Entretanto, aquela que ajudara a me curar em 2012, agora padecia do mesmo mal. A depressão bateu a porta de minha esposa e ela precisou de um ano inteiro ser auxiliada em terapia. Sofremos terrivelmente.

A Igreja adquiriu o sistema de som, saiu do pavilhão no sagrada família e veio para esse. Tudo isso envolveu bastante dinheiro. Pagar o som, entregar o antigo pavilhão do jeito que a imobiliária queria, preparar este aqui, fazer o PPCI. E então veio a pandemia. Tudo que estava ruim, ficou pior. Além dos desafios de pagar todas essas contas sem poder fazer os cultos presenciais, aqueles problemas que percebi ao chegar em 2018 haviam chegado no ápice.

Parecia que eu não iria aguentar. Eu sentia dor no peito, palpitações severas. Todos brigavam contra todos. Choramos muito, jejuávamos, orávamos e nada se resolvia.

No meio dessas tempestades, Deus plantou flores, que são vocês, pessoas que foram se convertendo, se reconciliando, começando a a fazer parte dessa família mesmo em meio as lutas.

Vieram as enchentes. E mais uma vez novos desafios. Trabalhamos como loucos. Minha coluna terminou de estragar carregando aquelas doações e mais uma vez era acometido de dores terríveis. No mesmo ano, meu primo assassinou o próprio pai, o irmão, dois policiais e ainda tentou matar minha tia e outras pessoas. Precisei ir ao funeral de 3 pessoas da minha família. Foi a primeira vez que vi 3 caixões no mesmo local. Não sei se antes ou depois disso, as tensões na igreja chegaram ao limite e muitas pessoas saíram da congregação. Diziam que nos amavam e não duvido disso, todavia, esse fato não me consolava em nada. Me senti sozinho, abandonado pelos amigos, sobrecarregado, sugado, injustiçado, exausto. Pedi insistentemente aos meus pastores que me substituíssem e colocassem alguém mais capaz para pastorear essa igreja.

Precisei de ajuda. Além de meu pastor e discipulador, busquei psicólogo, psiquiatra, neuropsicólogo. Fiz terapia, testes e em alguns momentos até uso de medicação.

E a gota d’água? A cirurgia da coluna.

Fiquei muitos dias de repouso. E ali orei e passei minha vida a limpo diante de Deus. Não via mais sentido para estar vivo. O cansaço era extremo. Fazia muito tempo que eu havia passado de qualquer limite de saúde. Eu não aguentava. E mais uma vez, perguntei ao Senhor se não era melhor partir. Claro, fiz um seguro de vida primeiro para deixar minha família bem.

Então tive um sonho. Estava em um barco que ia naufragando. Um homem concordava e me estimulava a admitir que tudo ia mal. Que tudo sempre dava errado. Que os amigos sempre me abandonavam. Que o trabalho era em vão. Que as pessoas não nos amavam, apenas nos usavam. E fui aceitando, na verdade, até achava que era Deus. Foi então que percebi que era o Diabo e comecei a resistir àquilo. Foi quando o Senhor de fato falou comigo: “Você quer vir mesmo? Tudo bem, pode vir, eu trago você para cá. Pode ficar tranquilo, a tua salvação está garantida, eu só preciso saber se realmente é isso que você quer”.

Diante da eminente morte e da promoção para a vida eterna eu refleti. Sabia que a Tássia iria se virar super bem sem mim, afinal, ela é uma mulher incrível. Metade do financiamento do apartamento seria quitado e com o dinheiro de meu seguro de vida ela estaria bem. Mas aí pensei: E o Josias? Como meu filho lidaria com o pai que desistiu da vida por causa dos problemas da igreja? Eu precisava cuidar dele. E as ovelhas? Como eu iria embora e deixar a igreja assim, não poderia abandoná-los nesse momento difícil. Então respondi para o Senhor: “Não. Eu ainda tenho um filho para criar e uma igreja para pastorear.

Assim, o “navio” emergiu das águas e despertei.

A vida é uma rapadura.
Ela é bonita e doce,
porém dura.

Mais uma vez Deus usou pessoas para me ajudar. E dessa vez foram muitas.

  • Psicólogo.
  • Psiquiatra.
  • Neuropsicóloga.
  • Pastor.
  • Discipulador.

E os amigos. Vários de vocês se solidarizaram conosco e cuidaram de nós. Tiveram paciência em nosso processo.

Percebam que neste último caso, além de ajuda de amigos e irmãos, precisei da ajuda de profissionais da área da saúde. E isso não é pecado!

💛 Conclusão

Por 4 vezes eu perdi o brilho da vida.

Na primeira sucumbi pela culpa e por não me perdoar.

Na segunda parei de sonhar e comecei a morrer.

Na terceira me decepcionei, descobri a maldade do ser humano.

E na quarta, cheguei ao esgotamento.

E hoje?

Hoje eu estou aqui. Não sem problemas, não sem dores. Não como alguém perfeito. Ao contrário. Estou aqui como alguém que conhece seus limites, suas fraquezas. Que tem as cicatrizes da vida. Alguém que sabe que a depressão não é um simples tristeza. Alguém que foi provado em vários tipos de sofrimento. Alguém que precisa da sua ajuda, que precisa de amigos, que precisa de profissionais. Que acima de tudo, precisa de Deus.

Mas eu estou aqui. Estou aqui para você.

Nós estamos aqui para você.

Você não está sozinho e incompreendido. Eu passei por isso tudo e quero ajudar você. Jesus passou por coisas piores, e estende às mãos em sua direção.

📖 Lc 22:44.

Ele orou com ainda mais fervor, e sua angústia era tanta que seu suor caía na terra como gotas de sangue. Lc 22:44.

A hematidrose ocorre sob estresse físico ou pânico severo, quando pequenos vasos sanguíneos se rompem e misturam sangue ao suor. (Gemini).

Com nossos defeitos e falhas. Com nossa pequenez e fraquezas. Estamos aqui para dizer que você não está sozinho. Que pode abrir o coração. Que queremos te ajudar.

E acima de tudo. Que ganhar vidas para Jesus e junto com elas aprender a ser essa família chamada Igreja, chamada Fonte Church, esse é nosso objetivo.

Não uma comunidade de pessoas perfeitas. Antes, uma família aprendendo com o pai enquanto caminha para a Eternidade.

Vale a pena perseverar nessa vida, quando mantemos em vista nosso propósito Eterno.

Há um motivo para abrir os olhos pela manhã e levantar-se da cama, quando lembramos que estamos mudando o destino eterno das vidas!

Quando eu carregava aquelas caixas pesadas nas enchentes e sentia minha coluna padecer, angariava forças pensando que meu pequeno sacrifício poderia salvar uma família inteira da fome e do frio.

Quanto mais devemos nos esforçar, resistir, sonhar e perseverar, sabendo que:

📖 2Co 4:17-18. NVT.

Estas aflições pequenas e momentâneas que agora enfrentamos produzem para nós uma glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre. Portanto, não olhamos para aquilo que agora podemos ver; em vez disso, fixamos o olhar naquilo que não se pode ver. Pois as coisas que agora vemos logo passarão, mas as que não podemos ver durarão para sempre. 2Co 4:17-18. NVT.

Quero convidar você agora, a procurar várias pessoas e contar para elas como elas tem feito a diferença na sua vida. Fale como elas são importantes para ti. Agradeça. E se ofereça para ajudá-las. Diga: “Pode contar comigo”.

Procure alguém que você nunca viu também e diga: Pode contar comigo!

Cristianismo, não é uma religião que se vive sozinho.
É uma fé que se desfruta em família.

💛 Pr. Sidi Kauer  •  Fonte Church  •  missoes.org