terça-feira, 29 de setembro de 2020

A Fuga

 Quando você escuta o nome “Jonas” o que lhe vem logo a cabeça?

Pois é, Jonas ficou conhecido como o profeta fujão, aquele que foi engolido pelo grande peixe.


Dizem que um dia estava no avião uma senhora idosa, lendo sua Bíblia bem tranquila quando um homem a interpelou perguntando… “Você acredita mesmo nesse livro”? Ao qual ela respondeu: “Sim senhor, em tudo”. O homem não satisfeito continuou: “E aquela história por exemplo de um homem que foi engolido por uma baleia”. Na verdade a Bíblia nem fala em baleia, mas tudo bem. “Sim meu filho, acreditava até se estivesse escrito que foi o Jonas quem engoliu a baleia; mas todo caso, quando eu chegar lá no céu vou perguntar ao Jonas como foi essa história”. Então o homem continuou: “Ah, mas vamos supor que exista um Deus e um céu e você chegue lá e Jonas não tenha ido pro céu, tenha ido lá para aquele outro lugar que vocês falam, como nos vamos descobrir a verdade sobre essa história”. Ela simplesmente disse: “Ah meu filho, daí você mesmo faz a pergunta”.


Brincadeiras a parte, Jonas foi chamado para profetizar contra a grande cidade de Nínive. As pessoas de lá eram terrivelmente violentas e cruéis. A tortura era uma prática muito comum.


Quando percebemos que a mensagem de Deus era juízo e destruição sobre Nínive e que Jonas não queria pregar para eles justamente porque desejava que fossem destruídos, ficamos um pouco confusos.

Afinal, porque Jonas não queria anunciar a mensagem?

Simples: Jonas conhecia o Senhor, e sabia que se os Ninivitas se arrependessem seriam perdoados. Jonas sabia o que ele mesmo precisava fazer e sabia como Deus agiria em seguida.


Prestem bem atenção nisso. Jonas conhecia ao Senhor. Tinha intimidade com Ele. E sabia o que ele mesmo precisava fazer.

 



 

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Texto Base


A palavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amitai com esta ordem:

"Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela, porque a sua maldade subiu até a minha presença".

Mas Jonas fugiu da presença do Senhor, dirigindo-se para Társis. Desceu à cidade de Jope, onde encontrou um navio que se destinava àquele porto. Depois de pagar a passagem, embarcou para Társis, para fugir do Senhor.

O Senhor, porém, fez soprar um forte vento sobre o mar, e caiu uma tempestade tão violenta que o barco ameaçava arrebentar-se.

Todos os marinheiros ficaram com medo e cada um clamava ao seu próprio deus. E atiraram as cargas ao mar para tornar mais leve o navio. Enquanto isso, Jonas, que tinha descido para o porão e se deitado, dormia profundamente.

O capitão dirigiu-se a ele e disse: "Como você pode ficar aí dormindo? Levante-se e clame ao seu deus! Talvez ele tenha piedade de nós e não morramos".

Então os marinheiros combinaram entre si: "Vamos tirar sortes para descobrir quem é o responsável por esta desgraça que se abateu sobre nós". Tiraram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas.

Por isso lhe perguntaram: "Diga-nos, quem é o responsável por esta calamidade? Qual é a sua profissão? De onde você vem? Qual é a sua terra? A que povo você pertence? "

Ele respondeu: "Eu sou hebreu, adorador do Senhor, o Deus dos céus, que fez o mar e a terra".

Com isso eles ficaram apavorados e perguntaram: "O que foi que você fez? ", pois sabiam que Jonas estava fugindo do Senhor, porque ele já lhes tinha dito.

Visto que o mar estava cada vez mais agitado, eles lhe perguntaram: "O que devemos fazer com você, para que o mar se acalme? "

Respondeu ele: "Peguem-me e joguem-me ao mar, e ele se acalmará. Pois eu sei que é por minha causa que esta violenta tempestade caiu sobre vocês".

Ao invés disso, os homens se esforçaram ao máximo para remar de volta à terra. Mas não conseguiram, porque o mar tinha ficado ainda mais violento.

Então eles clamaram ao Senhor: "Senhor, nós suplicamos, não nos deixes morrer por tirarmos a vida deste homem. Não caia sobre nós a culpa de matar um inocente, porque tu, ó Senhor, fizeste o que desejavas".

Então, pegaram Jonas e o lançaram ao mar enfurecido, e este se aquietou.

Ao verem isso, os homens adoraram ao Senhor com temor, oferecendo-lhe sacrifício e fazendo-lhe votos.

Então o Senhor fez com que um grande peixe engolisse Jonas, e ele ficou dentro do peixe três dias e três noites.


Jonas 1:1-17



1. Jonas Fugiu


Jonas já era profeta do Senhor. Aquela não era sua primeira experiência. Jonas sabia o que precisava ser feita. Porém… Jonas fugiu.

Ele se deparou com uma situação que não soube como processar em seu coração. Ficou a imaginar todo o cenário: Primeiramente, a necessidade de coragem para ir até a capital do povo mais violento e cruel da face da terra. Depois, olhar nos olhos daqueles assassinos e declarar morte e destruição. E depois de tudo isso, supor que se arrependeriam e o perdão de Deus viria a eles mesmo depois de tudo que haviam feito.


Perceba que Jonas começa a sofrer por antecipação. Ele está pré-ocupado, incrivelmente ansioso. Sua fuga imediata e desesperada mostra que na verdade já estava em pânico e não queria nem mesmo ouvir falar em Deus ou Nínive.


Tudo que Jonas queria era encontrar um jeito de fugir de tudo isso, de enfiar a cabeça em um buraco no chão e desaparecer. Não queria ouvir falar de Deus pois essa palavra o lembrava, estava relacionada a sua identidade e missão, coisas estas que ele queria muito esquecer.


Ele foge desesperado, em pânico, procura e encontra um navio que vai em sentido contrário, paga a passagem, entra no navio, desce até o porão e entra em sono profundo.


Qual era o problema? Afinal, não parece que tudo deu certo? Achou o navio. Tinha dinheiro para a passagem. Estava tão em paz que conseguia dormir…

Não, não, não… As coisas não são bem assim. Jonas não estava apenas fugindo de Deus. Estava fugindo de quem ele era, sua identidade, fugindo de seu chamado, sua missão… Fugindo da vida e buscando no sono, no fundo de um porão um lugar pra deixar de existir sem precisar encarar a dureza da vida.


Podem parecer bobos os motivos de Jonas para você. Acontece que para Jonas não eram. Às vezes quem olha de fora, acha as coisas insignificantes e pequenas. Porém, para quem está passando aquele momento, qualquer mosca é avião bombardeiro.


Com a pandemia, acredito que o que mais tem sido afetado não é a saúde física ou financeira. O que mais tem ficado bagunçado são as emoções, a alma.


A quantidade de pessoas que eu conheço que estão recebendo tratamento psicológico já está bem grande. E sinceramente não tenho nada contra isso, até incentivo em alguns casos. Assim como vamos a médicos para ajudarem a resolver problemas físicos não há nada de errado em ir a psicólogos para receber ajuda psicológica. Procurar esse tipo de profissional não é falta de fé. Se fosse falta de fé, você não poderia procurar um dentista ao sentir dor de dente.



2. Eu já fugi


Conto um pouco sobre experiências pessoais que já tive neste sentido, pode ser que você se identifique com elas.


Logo no começo que estava em Cristal, cheguei em um pouco onde não acreditava mais que era capaz de pastorear uma igreja. Pensei que tinha falhado. Tudo que eu queria era sair dali o quanto antes.

Peguei um ônibus e fui para SC, até Rio do Sul na casa do Pr. Samuel Piangers. Lá eu disse que tudo que eu queria era ajudar no que fosse preciso, porém, sem ser um pastor. Saí pela cidade com o amigo Bruno Bertoluti, procurando por emprego.

Então o Pr. Samuel me levou até uma reunião de pastores onde o Pr. Luiz Scheidt e o Pr. Mário Silveira e orientaram a voltar.


Não lembro se antes ou depois disso, comecei a adoecer muito. Sentia como se fosse morrer. Me olhava no espelho e me achava feio, velho, acabado. E olha que eu ainda tinha cabelo… Os médicos não sabiam o que eu tinha e começaram a receitar um monte de remédios para supostos problemas. Cheguei a tomar 14 pílulas ao dia. E fui ficando cada dia pior. Eu olhava no espelho e pedia pra Deus me levar. Achava que já havia completado a minha missão na terra. Que o melhor que poderia acontecer era morrer mesmo. Não pensava em suicídio, pois, tinha medo do inferno, mas, pedia a Deus para partir.

Até que o Pr. Mário Silveira pediu para eu ir a cachoeirinha, me levou no pneumatologista dele e deu diversas orientações que me ajudaram muito. Nosso discipulado seria regular e seguidamente eu deveria ir até a casa dele e ficar por lá. Naqueles dias, não fosse o Pr. Mário me ajudar não sei o que teria sido de mim. O discipulado com ele foi o instrumento de Deus para salvar a minha vida.


Então valorize seu discipulador. Valorize seus discípulos.


Antes disso eu já havia desejado a morte. Ali por 2005 mais ou menos. Eu gostava muito de escutar as pregações do Pr. Silas Malafaia e outros ainda. Ficava admirado do nível daqueles homens, porém não conseguia viver como as pregações que eles ministravam. Isso gerava uma frustração muito grande no meu coração. Olhava para o meu pastor e discipulador na época, o Pr. Samuel Piangers e via nele alguém como Jesus. Homem de oração, fé e santidade.

Eu queria ser como ele, mas quando olhava para mim percebia que estava tão, mais tão longe. Lutava incansavelmente contra meus pecados e não conseguia vencê-los. Estava já em desespero.

Parecia que ia me rasgar ao meio pois tanto o desejo de ser santo como o desejo pelo pecado era extremamente fortes dentro de mim.


Desesperado, eu orava e chorava pedindo para Deus a morte. Dizia: “Deus eu não consigo, eu não dou conta. Então agora eu te peço perdão por todos os meus pecados. Me mata logo, porque daí eu vou pro céu, mas se o Senhor demorar pode ser que eu peque de novo e vá pro inferno”.


Naqueles dias o Pr. Samuel foi me ajudando, me amando, acalmando meu coração e pouco a pouco fui conseguindo vencer os pecados e viver em paz.


Com estas duas experiências, ainda que contadas na ordem cronológica inversa, aprendi algumas cosias.


Que havia em mim uma tendência a melancolia e talvez até a depressão. Que eu precisava constantemente selecionar, decidir pelo ânimo, pela fé, por seguir em frente. Em outras palavras, que eu precisava ligar no 220v e avançar. Porque se eu ficasse demais refletindo nos problemas, me preocupando com o futuro, e deixasse meu coração seguir seu fluxo natural eu afundaria.

Vi também que teria que levar muita coisa na esportiva.

Percebi que não poderia mais ficar sozinho. A solidão não me fazia bem em nada. Em Fátima me cerquei de muitos amigos, em Cristal, graças a Deus, logo conheci a Tássia.


Até hoje, seleciono o tipo de música, filmes e até pregações que vou assistir, evitando aquelas que chamo de “chorantes”. Não estou dizendo que sejam ruins, mas, percebi que para minha saúde as coisas chorantes precisavam, ser beeeem esporádicas.


Normalmente as pessoas me conhecem por alguém agitado, que fala bastante, extrovertido. Acredito que isso seja quem decidi me tornar, quem vim a ser para sobreviver, para não sucumbir as inclinações da minha carne. Para não apodrecer em meio as mazelas da vida.


Quando a tristeza dá uma ou duas investidas contra mim, logo percebo que ela está chegando e contra ataco. Coloco um louvor bem festivo tipo DJ PV ou algo assim. Faço alguma atividade física. Saio de casa ou como algo que gosto. Eu sei que se deixar a coisa crescer depois será difícil dominá-la.


A Tássia também já me conhece e se tornou um mecanismo de defesa. Quando ela percebe que estou querendo me isolar, que começo a filosofar demais, vou me desconectando do mundo ao redor… Ela percebe que o buraco está me sugando e começa a me dar uns chacoalhes. Normalmente eu fico bravo com ela. Às vezes irado. Porém ela não desiste, segue firme me puxando, puxando até que eu saia do hipnotizante redemoinho chamado tristeza.


Em tudo isso, o que mais funciona sempre: O TSD! Meu tempo devocional com Deus. Sem dúvidas de todos os mecanismos de defesa que fui criando, nada se compara a intimidade com o Senhor. Quando consigo jogar aos pés da cruz tudo que me preocupa, que entristece, quando vomito pra fora… Saio do TSD outra pessoa.


Não apenas a oração, também o estudo da Palavra. Pois ali vejo pessoas que passaram por situações iguais ou piores. Aprendo a não fazer o que alguns fizeram e imitar a conduta de outros.


Então se tudo que você quer é fugir, é ir na direção contrária… Eu já fiz isso. Não se sinta o pior pecador, não deseje a morte. Creia que há uma solução. Acredite que há saída.


Se você conhece pessoas ao seu redor passando por situações assim, seja a corda de escape em meio ao poço escuro.


E se você mesmo se percebe com as mesmas inclinações que citei aqui, lute! Não se entregue. No fundo meu querido, a vida é boa. Ela só não é fácil.



3. Nem sempre o caminho fácil é o caminho certo


Já vimos que: O navio estava lá. Havia dinheiro para a passagem. Aceitaram ele em um navio que aparentemente não era de passageiros; e Jonas achou paz para dormir em meio a tempestade.


Às vezes a fuga se mostra um caminho suave.

Não quer dizer que por você querer algo isso seja bom.

Não é porque tudo está dando certo na sua fuga que ela deixe de ser uma fuga.

A paz e Jonas era só uma anestesia emocional, não mudava o fato de que a tempestade estava lá e o barco estava afundando. O coração do homem é enganoso.

Ter recursos ou não, é relativo demais para servir como prova de algo.

O fato de aceitarem Jonas no navio, está mais para uma prova de colaboração do diabo do que uma prova de que está tudo certo.



4. Uns fogem, outros não.


Jonas fugiu, Paulo não. Foi a Roma. Foi preso, açoitado, decapitado. Foi até o fim.

Elias não foi até o fim da sua missão, nem Moisés. Deus não deixou de amá-los por isso, porém, poderiam ter ido além do que foram. Jesus por outro lado, foi até o fim. Enfrentou o cuspe, a coroa de espinhos, a rejeição, a cruz.


Jacó fugiu por anos de si mesmo, de Deus e dos homens. Não adiantou nada até que chegou o dia que teve que encarar a realidade.


A verdade é que muitos cristãos têm dificuldade de desenvolver uma oração verdadeira com Deus. Todos nós precisamos daquele momento de sentar diante de Jesus e conversar com ele sobre TUDO.




Ministração


Você pode vir até aqui receber oração hoje.

Há problemas emocionais de distintas origens.

Alguns, e insisto, não são todos, podem até mesmo ser causados pela ação de demônios. Outros são de ordem natural. Porém, Deus tem poder para te ajudar em todos eles, seja qual for a origem. E o diabo sem vergonha que é; pode tentar acentuar problemas de ordem psicológica ou até mesmo física, pois não respeita ninguém.


Assim como Deus pode curar um dente cariado, pode também curar um coração ferido, uma psique deformada ou um cérebro em mau funcionamento.

Não estamos dizendo a você que não deva procurar ajuda profissional. Porém, estamos sim dizendo que algo sobrenatural pode acontecer hoje em sua vida.



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